História de Sombras na Fotografia Brasileira
Em A República, Platão imaginou pessoas acorrentadas numa caverna, que só teriam conhecimento do mundo exterior através de ruídos e sombras projetadas de fora para dentro do ambiente fechado. Assim, elas acreditariam que as sombras fossem o mundo real. Alguém que saísse da caverna descobriria um mundo real. O sol seria a ideia do Bem. Essa “Alegoria da Caverna” foi pensada por Platão como uma metáfora da teoria do conhecimento. A arte é mimesis.
Uma história de sombras na fotografia brasileira atravessa gerações que operaram pela imaginação simbólica. Claudia Andujar projeta sua sombra sobre um tapete de folhas caídas de árvores em clara alusão à floresta com a qual se funde com uma unidade viva, desapegada do seu eu. Essa Andujar adota a filosofia da existência dos Yanomami. Já a sombra platônica de Bené Fonteles se integra à terra vermelha de Brasília, avizinhada por uma lagartixa – o artista é um ser mimético do mundo. Paulo Lobo se projeta como sombra de Oxóssi – o fotógrafo, segundo Villém Flusser caça o objeto de sua câmera. Numa imagem, Mario de Andrade registrou a projeção de seu corpo sobre o chão – Sombra minha – que denota seu conhecido narcisismo. Por fim, Solon Ribeiro, ex-curador de cinema do Pompidou, está aqui com “Na Caverna da Sombra do meu Ego” que entrecruza a Alegoria da Caverna de Platão ao egocentrismo de Mario de Andrade.
Paulo Herkenhoff